Bem Vindos

Olá!

Queremos dar as boas vindas a todos os visitantes.

Somos um grupo de formandas e formadores do curso de Educação e Formação de Adultos - Agente em Geriatria e vamos aqui apresentar o nosso tema de vida “Conta-me como era…”.

Estamos a realizar uma pesquisa sobre variadíssimos temas do século XX, incluindo o quotidiano, a vida familiar, a saúde e os acontecimentos nacionais e internacionais mais marcantes.

No final vamos apresentar uma dramatização sobre este tema, onde iremos reviver a vida nas ruas da Lisboa antiga. Convidamos todos os interessados a comentar.

Contem-nos como era e acompanhem-nos nesta viagem ao passado no comboio da saudade!

Estamos a fazê-lo com todo o gosto, esperamos que se divirtam.

12 de março de 2010

Entrevistas a idosos

Algumas questões a colocar aos idosos, relacionadas com a “visão da sociedade acerca das pessoas idosas”:

Quando o Senhor(a) era jovem, a palavra idoso era utilizada? Como se chamava uma pessoa com idade avançada? A partir de que idade se considerava que alguém tinha “idade avançada”?

  • Não se usava a palavra idoso, nem sequer era conhecida
  • Usava-se velho/velhinho – forma carinhosa de chamar, não se levava a mal,
  • 50/60 anos: chamava-se velho; > 70 anos: velhinhos, velhotes
  • Idade avançada: considerava-se a partir dos 60 anos
Hoje em dia, por norma, as pessoas deixam de trabalhar por volta dos 65anos (reforma). Quando o senhor(a) era jovem havia uma idade limite a partir da qual se deixava de trabalhar?
Até que idade se trabalhava?
  • Começava-se a trabalhar por volta dos 10/11 anos
  • Não havia idade limite para parar de trabalhar.
  • Trabalhava-se até se poder/querer ou até morrer, não existia a reforma
Para além da profissão exercida, que outras tarefas e responsabilidades tinham as pessoas idosas (ao nível da sua comunidade, ao nível da família)? Relativamente a essas tarefas e responsabilidades, havia diferenças entre homens e mulheres? Quais?
  • Para além da profissão, trabalhava-se nas terras, no campo.
  • As idosas também ajudavam na educação dos netos – avó era mãe duas vezes
  • Os homens só trabalhavam fora de casa, para sustentar a família; quando chegavam a casa depois do dia de trabalho, os homens iam para a taberna
  • As Mulheres ficavam em casa para realizar as tarefas domésticas e cuidar dos filhos. Em casa, os homens não ajudavam em nada
  • Os homens não gostavam que as mulheres trabalhassem fora de casa
  • Era raro as mulheres trabalharem fora de casa e muito menos com outros homens
  • Diferenças H/M: Homens mandavam; Homem era o ‘chefe de família’. As mulheres tinham de sujeitar-se ao que o marido queria
  • As mulheres tinham poucos direitos: não podiam sair sozinhas, para viajar tinham de ter uma autorização do marido que era passada pelo Governo Civil; não tinham o direito de votar
  • Quando o marido arranjava uma amante, a mulher tinha de ser ainda mais carinhosa e atenciosa com ele e não podia dizer nada
  • As raparigas eram educadas para ser mães e donas de casa
  • O vestuário era muito recatado: não se podia usar decotes, mangas de cava ou calças e na maioria das vezes também não se podia cortar os cabelos
Quando uma pessoa idosa adoecia e ficava sem capacidade para tratar de si próprio, o que acontecia? Quem cuidava dele(a)?
(…) E se não houvesse quem pudesse tratar dele(a), o que lhe acontecia?

  • Rede informal: em primeiro lugar a família (filha, nora) e se esta não existisse eram os amigos, vizinhos
  • Quem não tinha ninguém acabava por ir para Instituições do Estado (asilos)
No seu tempo, como eram constituídos os agregados familiares: eram formados apenas por pais e filhos como hoje em dia? Quem ditava as regras na família? Quem tinha mais autoridade?

  • O agregado familiar podia ser bastante alargado: para além dos pais e filhos também podiam coabitar avós, tios...
  • Antigamente tinha-se mais filhos
  • Quando se casava arranjava-se casa e constituíasse família – o casal e os filhos
  • O homem tinha sempre mais autoridade, mandava na mulher; mulher governava a casa; os filhos tinham de obedecer em 1º lugar ao pai (ou à mãe, se não houvesse pai)
  • Quando os filhos trabalhavam e ainda viviam em casa dos pais, tinham de entregar todo o dinheiro nas mãos dos pais (o ordenado chama-se ‘féria’)
  • O homem mandava na mulher; mulher governava a casa
  • Por vezes as dificuldades económicas obrigavam que se ficasse em casa dos pais ou sogros (após casar) – nesta situação o homem mais velho (pai/sogro) era quem mandava
Acha que hoje em dia as pessoas idosas são tão respeitadas como eram no seu tempo? Na sua opinião, o que é que mudou?

  • Antigamente os idosos eram mais respeitados do que hoje; a educação dada às crianças mudou muito, há liberdade a mais. Hoje: os jovens não respeitam pai nem mãe, como hão-de respeitar quem não conhecem?
  • Depende da educação; ainda hoje se vê quem respeite os idosos
  • Mas também se vê jovens sem educação: ouvem-se palavrões, não se levantam para dar o lugar a uma pessoa idosa...
  • Antigamente:
» Não dizíamos palavrões à frente das pessoas adultas (respeito);
» Bastava abrirem os olhos para ‘ficarmos logo em sentido’
» Uma criança/jovem não se levantava da mesa sem pedir autorização ao pai
» Não saía de casa sem pedir a bênção à mãe

  • Antigamente os idosos eram considerados pessoas sábias – pedia-se-lhes conselhos, opiniões; Hoje os idosos são vistos como um estorvo para as famílias
  • Hoje as pessoas trabalham mais fora de casa, não têm tanto tempo para a família – daí a a necessidade de Lares, J. Infância;
  • As pessoas andam mais ocupadas, a vida corre mais depressa; não têm tempo para os familiares (nomeadamente para os idosos), parece que têm medo que a vida acabe amanhã.

9 comentários:

  1. essa pagina me ajudou muito no projeto SEMEADORES DE SONHOS da escola edval de Sao Raimundo de

    NV

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  2. Muito bom, me ajudou bastante no meu trabalho!

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  3. Me deu ajuda no trabalho de História.Obrigada!!

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  4. Na zona de almada velha, existe vários centenários, mas um em perticular, o Constatino sai à rua todos os dias, ele nasceu em 6/05/1919, tem cerca de 98 anos, gostava muito de falar com ele, mas não tenho coragem

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