Bem Vindos

Olá!

Queremos dar as boas vindas a todos os visitantes.

Somos um grupo de formandas e formadores do curso de Educação e Formação de Adultos - Agente em Geriatria e vamos aqui apresentar o nosso tema de vida “Conta-me como era…”.

Estamos a realizar uma pesquisa sobre variadíssimos temas do século XX, incluindo o quotidiano, a vida familiar, a saúde e os acontecimentos nacionais e internacionais mais marcantes.

No final vamos apresentar uma dramatização sobre este tema, onde iremos reviver a vida nas ruas da Lisboa antiga. Convidamos todos os interessados a comentar.

Contem-nos como era e acompanhem-nos nesta viagem ao passado no comboio da saudade!

Estamos a fazê-lo com todo o gosto, esperamos que se divirtam.

16 de março de 2010

Parque Mayer

O Parque Mayer abriu em 15 de Junho de 1922, com várias diversões, na Avenida da liberdade nos antigos jardins ao palacete homónimo. Mais tarde inauguraram os teatros Maria Vitoria, Variedades e o Capitólio.
O teatro de revista popularizou-se, embora tivesse a concorrência do cinema e do jazz enquanto atracção dos tempos livres.

Resumo da entrega do catálogo da exposição Lisboa Republicana: Roteiro Patrimonial. Fotografia de Joshua Benoliel, entre o ano 1873-1932, Arquivo Fotográfico Municipal.

Tiro e Sport

“ Tiro e Sport ” era uma revista quinzenal de Educação Física e de actualidades publicada entre 1904 e 1913, que dava continuidade a outras duas revistas: “ O tiro Civil ” e a “ Revista de Sport”.
O seu director era Anselmo de Sousa, que contou com a colaboração de jornalistas como Pinto da Cunha, Eduardo de Noronha e Sena Cardoso.
Com a república, o desporto passou de passatempo fidalgo a diversão popular, destacando-se dois fenómenos de popularidade: O futebol e o Ciclismo.
O “Tiro e Sport” realçaram neste meio a par de outras revistas também importantes, como a “Ilustração Sportiva”

Texto elaborado no seguimento da visita á exposição Lisboa Republicana: Roteiro Patrimonial.

15 de março de 2010

Movimento Hippie

O movimento e cultura Hippie nasceram a partir dos anos 1960. Eles viviam em comunidades com outros hippies ou em comunas rurais. Usavam roupas velhas e naturalmente rasgadas, ou roupas com cores berrantes de diversos estilos (tais como calças boca-de-sino, camisas tingidas, roupas de modelos indianos). Também usavam túnicas, sandálias, cabelos compridos em ambos os sexos e flores no cabelo. Os hippies adoptaram o símbolo da paz que foi desenvolvido na Inglaterra para uma campanha contra o desarmamento nuclear, e foi adoptado pelos hippies americanos que eram contra a guerra nos anos 60.

Lisboa Antiga


Por volta dos anos 40, 50, 60 houve uma grande migração para a cidade de Lisboa, na tentativa de melhorar as condições de vida. Recuando a esse tempo vamos lembrar costumes e hábitos que ao longo do tempo se foram perdendo e outros modificando.
Quando falamos com pessoas que viveram nessa época reportam-nos uma Lisboa totalmente diferente, falam de uma Lisboa cheia de vida que se cumprimentavam e sorriam, os homens honravam a sua palavra, para tudo era como se fosse uma cerimónia.
O dia começava bem cedo, os homens iam trabalhar e algumas senhoras também trabalhavam fora. Existia na altura os chamados Eléctrico Operário para quem trabalhava, os bilhetes ficavam mais baratos e eram válidos das 5horas às 7 horas da manhã custavam na altura8 tostões e eram de ida e volta.
Para que ficava em casa as limpezas começavam bem cedo, os tapetes só se podiam sacudir da meia-noite até às 7 horas da manhã. As flores também eram nesse horário que podiam ser regadas. Quem não respeitasse sujeitava-se a apanhar uma multa, era o fiscal de bairro que vigiava as pessoas que lá moravam.
Lavava-se a roupa à mão nas celhas ou nos lavadouros públicos. Enquanto se fazia as tarefas domésticas ouvia-se os Pregões Matinais.
---OLHA A FAVA-RICA era o pequeno-almoço de muita gente.
---O LEITEIRO deixavam o leite as portas das pessoas.
---PÃO também era entregue às portas.
---OLHA O CARAPAO FRESQUINHO era a varina apregoar.
---QUEM TEM TRAPOS OUGARRAFAS PARA VENDER dizia ao ferro velho.
---OLHA A ÁGUA FRESQUINHA gritava o aguadeiro.
No tempo das castanhas também se ouvia QUEM QUER CENTES E BOAS, entre outros.
Também nesse tempo havia muitos quartos alugados para que vinha de fora, muitos casais na época viviam num quarto alugado quando se casavam.
Os senhorios ganhavam muito dinheiro com esta situação era tudo pago à parte, passar a ferro era mais caro, lavar a roupa tinham dia certo, muitas vezes eram roubadas quando saiam, tiravam batatas e petróleo dos candeeiros aos inquilinos e se não pagassem vinham para a rua sem aviso prévio. Existia casas que não tinham WC, por isso existiam os Balneários Públicos onde as pessoas tomavam banho e os mais necessitados recebiam roupa de quem entregava para donativo, assim como as cozinhas sociais, também conhecidas como a sopa do sidónio onde as pessoas recebiam pão e sopa consoante o agregado familiar, na porta de entrada encontravam-se mendigos a pedir esmolas.
O comércio era quase todo feito de porta em porta mas os legumes frescos eram comprados nos lugares, mas também havia as tabernas onde só os homens podiam entrar. As senhoras nem pensar, quem o fizesse eram mal faladas pelas pessoas, os locais onde as senhoras podiam frequentar era as pasteleiras. Elas também gostavam muito de ir fazer compras ao Chiado zona nobre, vestiam-se de acordo com a ocasião (os melhores vestidos e chapeis).
As pessoas quando necessitavam de dinheiro recorriam as casas de penhor, penhoravam tudo desde colchas, móveis, roupas e tudo mais, quando não iam levantar os pertences estes eram leiloados.
Muitas pessoas com dificuldades levantavam a roupa ao sábado para ir à missa e no domingo depois, voltavam a penhorar à segunda-feira.
As tradições eram para se manter ao domingo todos iam à missa. As senhoras levavam um véu na cabeça, os senhores tiravam os seus chapéus à porta da igreja. AS procissões eram vividas com muito respeito, punham-se as colchas nas janelas velas acesas com pétalas de rosa que se atiravam quando os Santos passavam num silêncio perfeito para a ocasião.
O ensino era muito rígido para as crianças, os professores eram exigentes e à 5ª feira era feito a revisão das unhas e das cabeças para não haver a propagação de piolhos, os sábados era para estudar a tabuada. A escola não era mista só no ciclo é que era.
Nos jardins públicos não se podia apanhar flores nem andar descalços, as variadas vezes para não terem problemas, calçavam um pé e o outro não.
As crianças também com poucos recursos tinham as suas brincadeiras, partiam as garrafas de gasosa para tirarem as esferas e jogarem ao berlinde (os pirolitos), as caricas, ao pião, a bola de trapos, as meninas brincavam com bonecas feitas de trapos ou cartão, tiravam batatas de casa para brincar às casinhas, os fios de flores feito por elas.
Nos Santos Populares gostavam de ajudar a enfeitar as ruas com fitas de papel prezas com fios, os mais crescidos tratavam do resto.
Os adultos também tinham as suas formas de se divertirem, em família era os piqueniques, namorar os bailes onde se conheciam e os pais a fiscalizavam, cinemas, revistas onde houve uma grande afluência foi com o Parque Mayer era um local de grande cultura e de vários divertimentos. Na época as moças que trabalhavam como coristas (bailarinas de teatro, revistas) eram mal vistas pela sociedade. Diferente mas de grande importância também a dar era o Teatro Monumental onde as senhoras iam sempre acompanhadas pelos maridos.
Em Alcântara, Bairro Alto, Intendente e Cais do Sodré existiam muitas casas de prostituição por estar perto do porto de Lisboa, onde apareciam homens de todas as raças.

Trabalho de grupo de Rute Lopes e Ruthe Santos
Visita ao “Clube Sénior da Fundação LIGA”.

O Eléctrico Operário

Das entrevistas que realizei a idosos, houve uma curiosidade que me despertou a atenção: O Eléctrico Operário!
Segundo me contaram, haviam carreiras de eléctrico conhecidas como “Eléctrico Operário”, que serviam a classe operária mais desfavorecida na cidade de Lisboa, durante o Estado Novo.
O bilhete de viagem era mais barato (custava 8 tostões) para as pessoas irem trabalhar e era de ida e volta. Mas, este preço só era praticado das 5 horas às 7 horas da manhã. Era mesmo para trabalhadores madrugadores!
Mas os idosos lembram que, havia dias, em que acabavam por fazer a pé grandes distâncias até ao local de trabalho, para poupar os 8 tostões!

Curiosidade

Nos anos 50 e 60, a tradição das “Noivas de Santo António” era um dos acontecimentos do ano! Esta iniciativa lançada e patrocinada pelo extinto Diário Popular, possibilitava o matrimónio religioso a casais com maiores dificuldades económicas, presenteando o casal com a boda, enxoval e equipamentos domésticos.
No entanto, as noivas tinham de ser virgens! Naquela época, era exigida uma garantia de virgindade, comprovada clinicamente com um atestado médico próprio. Caso a jovem não o fosse, o casamento não se realizava.

Em 1974 esta tradição foi interrompida, sendo recuperada apenas em 1997, por iniciativa da CML. No entanto, na sociedade democrática de Abril, a prova de virgindade e a obrigatoriedade do casamento religioso caíram por terra.

Os anos d’ouro do Parque Mayer


As décadas de 40, 50 e 60 consagraram o Parque Mayer como um dos locais mais emblemáticos na cidade de Lisboa, merecendo na época o título de “Broadway portuguesa”, tal era a sua importância na vida cultural da cidade e no divertimento dos lisboetas.
Composto por cinco grandes casas de espectáculos: Maria Vitória; Variedades; Capitólio; Recreio e ABC, o também chamado Parque Avenida viveu nestes anos dias gloriosos, com uma larga oferta de espectáculos (teatro de revista, operetas, cinema, boxe, circo, entre outros divertimentos nocturnos) registando grande afluência e movimento de público.
O Parque Mayer consagrou grandes nomes da vida artística nacional, fazendo parte integrante não só da vida dos Lisboetas, como de todos os portugueses.
Mas, como tudo não são rosas as moças que trabalhavam como coristas (bailarinas de revista e teatro) eram mal afamadas e vistas pela sociedade em geral.
Após a Revolução de Abril, o teatro de revista perdeu a importante função critica desempenhada no período da Ditadura e entrou em declínio.

13 de março de 2010



Visita ao Museu da Electricidade - 11.Março.2010

Trajes regionais tradicionais

Partilho umas fotografias retiradas em 2009, na última
Festa das Flores da vila de Redondo (Alentejo).
Minho
Trás-os-Montes
Beira Baixa
Algarve
Açores

Os 1ºs ferros de engomar eléctricos em Portugal

Foi nos anos 50 que se começou a generalizar os ferros de engomar eléctricos em Portugal, nomeadamente nas cidades. As idosas que têm hoje cerca de 75 anos de idade já os incluiam no seu enxoval de preparação para o casamento (as que casaram por volta dos seus 20 anos).
Na época a marca Morphy Richards era provavelmente a mais conhecida.

12 de março de 2010

Cartas de Amor

Poema de Álvaro de Campos declamado por Maria Bethania



Cartas de Amor

Canção muito trauteada nas últimas sessões de LC, aqui na voz do grande Tony de Matos, "o cantor de voz romântica", como o apelidou a poetisa Natália Coreia. Um êxito de 1950 que vale a pena recordar.



Como jurei
Com verdade o amor que senti
Quantas noites em claro passei
A escrever para ti
Cartas banais
Que eram toda a razão do meu ser
Cartas grandes, extensas, iguais
Ao meu grande sofrer

Cartas de amor
Quem as não tem
Cartas de amor
Pedaços de dor
Sentida de alguém
Cartas de amor, andorinhas
Que num vai e vem, levam bem
Saudades minhas
Cartas de amor, quem as não tem

Porém de ti
Nem sequer uma carta de amor
Uma carta vulgar recebi
Pra acalmar minha dor
Mas mesmo assim
Eu para ti não deixei de escrever
Pois bem sabes que tu para mim
És todo o meu viver

Cartas de amor
Quem as não tem
Cartas de amor
Pedaços de dor
Sentida de alguém
Cartas de amor, andorinhas
Que num vai e vem, levam bem
Saudades minhas
Cartas de amor, quem as não tem.

Entrevistas a idosos

Algumas questões a colocar aos idosos, relacionadas com a “visão da sociedade acerca das pessoas idosas”:

Quando o Senhor(a) era jovem, a palavra idoso era utilizada? Como se chamava uma pessoa com idade avançada? A partir de que idade se considerava que alguém tinha “idade avançada”?

  • Não se usava a palavra idoso, nem sequer era conhecida
  • Usava-se velho/velhinho – forma carinhosa de chamar, não se levava a mal,
  • 50/60 anos: chamava-se velho; > 70 anos: velhinhos, velhotes
  • Idade avançada: considerava-se a partir dos 60 anos
Hoje em dia, por norma, as pessoas deixam de trabalhar por volta dos 65anos (reforma). Quando o senhor(a) era jovem havia uma idade limite a partir da qual se deixava de trabalhar?
Até que idade se trabalhava?
  • Começava-se a trabalhar por volta dos 10/11 anos
  • Não havia idade limite para parar de trabalhar.
  • Trabalhava-se até se poder/querer ou até morrer, não existia a reforma
Para além da profissão exercida, que outras tarefas e responsabilidades tinham as pessoas idosas (ao nível da sua comunidade, ao nível da família)? Relativamente a essas tarefas e responsabilidades, havia diferenças entre homens e mulheres? Quais?
  • Para além da profissão, trabalhava-se nas terras, no campo.
  • As idosas também ajudavam na educação dos netos – avó era mãe duas vezes
  • Os homens só trabalhavam fora de casa, para sustentar a família; quando chegavam a casa depois do dia de trabalho, os homens iam para a taberna
  • As Mulheres ficavam em casa para realizar as tarefas domésticas e cuidar dos filhos. Em casa, os homens não ajudavam em nada
  • Os homens não gostavam que as mulheres trabalhassem fora de casa
  • Era raro as mulheres trabalharem fora de casa e muito menos com outros homens
  • Diferenças H/M: Homens mandavam; Homem era o ‘chefe de família’. As mulheres tinham de sujeitar-se ao que o marido queria
  • As mulheres tinham poucos direitos: não podiam sair sozinhas, para viajar tinham de ter uma autorização do marido que era passada pelo Governo Civil; não tinham o direito de votar
  • Quando o marido arranjava uma amante, a mulher tinha de ser ainda mais carinhosa e atenciosa com ele e não podia dizer nada
  • As raparigas eram educadas para ser mães e donas de casa
  • O vestuário era muito recatado: não se podia usar decotes, mangas de cava ou calças e na maioria das vezes também não se podia cortar os cabelos
Quando uma pessoa idosa adoecia e ficava sem capacidade para tratar de si próprio, o que acontecia? Quem cuidava dele(a)?
(…) E se não houvesse quem pudesse tratar dele(a), o que lhe acontecia?

  • Rede informal: em primeiro lugar a família (filha, nora) e se esta não existisse eram os amigos, vizinhos
  • Quem não tinha ninguém acabava por ir para Instituições do Estado (asilos)
No seu tempo, como eram constituídos os agregados familiares: eram formados apenas por pais e filhos como hoje em dia? Quem ditava as regras na família? Quem tinha mais autoridade?

  • O agregado familiar podia ser bastante alargado: para além dos pais e filhos também podiam coabitar avós, tios...
  • Antigamente tinha-se mais filhos
  • Quando se casava arranjava-se casa e constituíasse família – o casal e os filhos
  • O homem tinha sempre mais autoridade, mandava na mulher; mulher governava a casa; os filhos tinham de obedecer em 1º lugar ao pai (ou à mãe, se não houvesse pai)
  • Quando os filhos trabalhavam e ainda viviam em casa dos pais, tinham de entregar todo o dinheiro nas mãos dos pais (o ordenado chama-se ‘féria’)
  • O homem mandava na mulher; mulher governava a casa
  • Por vezes as dificuldades económicas obrigavam que se ficasse em casa dos pais ou sogros (após casar) – nesta situação o homem mais velho (pai/sogro) era quem mandava
Acha que hoje em dia as pessoas idosas são tão respeitadas como eram no seu tempo? Na sua opinião, o que é que mudou?

  • Antigamente os idosos eram mais respeitados do que hoje; a educação dada às crianças mudou muito, há liberdade a mais. Hoje: os jovens não respeitam pai nem mãe, como hão-de respeitar quem não conhecem?
  • Depende da educação; ainda hoje se vê quem respeite os idosos
  • Mas também se vê jovens sem educação: ouvem-se palavrões, não se levantam para dar o lugar a uma pessoa idosa...
  • Antigamente:
» Não dizíamos palavrões à frente das pessoas adultas (respeito);
» Bastava abrirem os olhos para ‘ficarmos logo em sentido’
» Uma criança/jovem não se levantava da mesa sem pedir autorização ao pai
» Não saía de casa sem pedir a bênção à mãe

  • Antigamente os idosos eram considerados pessoas sábias – pedia-se-lhes conselhos, opiniões; Hoje os idosos são vistos como um estorvo para as famílias
  • Hoje as pessoas trabalham mais fora de casa, não têm tanto tempo para a família – daí a a necessidade de Lares, J. Infância;
  • As pessoas andam mais ocupadas, a vida corre mais depressa; não têm tempo para os familiares (nomeadamente para os idosos), parece que têm medo que a vida acabe amanhã.