9 de março de 2010
6 de março de 2010
Que brinquedos tinham os nossos avós?
A indústria de brinquedos era quase inexistente em Portugal nas primeiras décadas do século XX. Não se valorizava ainda a necessidade de brincar das crianças e só os mais abastados tinham acesso a eles.
Um grilo feito de cana, com que se entretinham a reproduzir o som de uma ave tipica de outono.
A generalidade dos brinquedos da infância dos nossos avós eram criados e feitos pelas suas próprias mãos, fruto da imaginação e talento das crianças e seus pais.
Lançámos um desafio a um grupo de idosos para que nos reproduzissem alguns brinquedos tal e qual ao que costumavam fazer em criança para brincar, para podermos ter uma ideia de como eram na realidade. Partilhamos aqui alguns resultados:

Carrinho feito de uma lata de conserva de atum com arame, era assim que muitas crianças se entretinham a brincar na rua!
Com balanças feitas a partir de uma caixa de graxa, era usual brincar-se ao comércio.
As bonecas eram elaboradas a partir de trapos e restos de tecidos, com o rosto pintado à mão. O resultado final dependia da dedicação, jeito e imaginação de cada um!
Um quarto dos anos 40 a 50
Uma tradicional cama de ferro, com colchão enchido com saia de milho/ capelo (folha do milho seca), a decoração era simples e elaborada com restos de tecidos e criatividade. A mesinha de cabeceira era também um elemento comum...
Penicos de esmalte, apesar de serem caros na época (cerca de 60 escudos), eram imprescindíveis! De manhã eram despejados no balde da casa. Os menos abastados tinham poucos cobertores e, por vezes, passavam frio.
O crucifixo era um elemento sempre presente numa sociedade em que a igreja dominava o quadro de mentalidade popular. O lavatório tradicional e o candeeiro a petróleo também eram fundamentais. O napron de renda é que era pouco usual nas casas humildes. Estas imagens foram recolhidas no Museu Etnográfico de São João da Ribeira, com autorização.
Cozinha popular nos anos 40 a 50
Vai um cafézinho de cafeiteira da avó, com brasa para assentar a borra?
A mesa de cozinha, usualmente de pequenas dimensões, preparada.
O cântaro de barro conservava a água bem fresquinha!
A melhor loiça, mas apenas para uso especial...
A Arca e os ferros de engomar a carvão foram elementos característicos nas cozinhas portuguesas ... só o chão visível na foto não corresponde à época.
2 de março de 2010
Barbearia salão de moda
Uma nova visão politica popularizou o desejo da beleza e de seguir a moda, á medida que a qualidade de vida vai melhorando.No final do século XIX, multiplicam-se as barbearias em Lisboa, mostrando o interesse dos homens pela sua aparência. A barbearia salão de moda era ponto de passagem obrigatório, também para o convívio. O barbeiro era uma pessoa reconhecida e de confiança.
Resumo da entrega do catálogo da exposição Lisboa Republicana: Roteiro Patrimonial. Fotografia de Joshua Benoliel , entre o ano 1873-1932, Arquivo Fotográfico Municipal.
Café Chave D’Ouro
O café chave D’ouro foi fundado em 1916 e conquistou a preferência da classe politica.Nas décadas de 40 e 50, O Chave D’ouro fazia parte do quotidiano dos intelectuais e oposicionistas ao regime de Salazar. Ai se realizou a conferência de imprensa que lançou a candidatura de Humberto Delgado, em Maio de 1958.
Salazar mandou fechar o café no ano seguinte, pois acreditava que este era um centro de “ódio e dissolução. Apesar de o Chave D’ouro ter desaparecido, a tradição dos cafés como ponto de encontro dos Lisboetas tem-se mantido ao longo dos tempos.
Texto elaborado no seguimento da visita à exposição Lisboa Republicana: Roteiro Patrimonial. Fotografia de Kurt Pinto , no ano 1940, Arquivo Fotográfico Municipal.
Anúncios radiofónicos
Um site muito interessante com excertos de programas radiofónicos e anúncios desde os anos 50
A Feira da Luz
A Feira da Luz ainda hoje se realiza em Setembro no mesmo local.As Feiras fazem parte das tradições rurais que as classes polares tentavam reproduzir para promover o convívios, o lazer e o comércios, localizando-se geralmente nos arredores da Cidade.
Em 1910 já poucas existiam, sendo substituídos por um novo tipo de feira, que dará a origem á feira Popular: Feira de Agosto, mais sofisticado.
Resumo de entrega do catálogo da exposição Lisboa Republicana: Roteiro Patrimonial.
A Rua Garrett
Mapa de Localização e Transportes
Conquistou a sua fama ao longo do século XIX, sendo uma zona de passeio e de comércio para classe média e alta.Aí se localizavam vários casas de comércio, entre elas Gardénia, Pompadour, Jerónimos Martins (charcutaria), Eduardo Martins(tecidos), e a Livraria Bertrand, atracões Lisboetas.
Era também um ponto de encontro onde as senhoras exibiam a sua elegância.
A Rua Garrett continua a ser muito frequentada hoje, principalmente por turistas que ainda podem fazer compras nesta zona, ao som de animados artistas de Rua.
Texto elaborado no seguimento da visita à exposição Lisboa Republicana: Roteiro Patrimonial. Fotografia de Armando Seródio, no ano 1963,Arquivo Fotográfico Municipal.
Casa de Penhores: “Vou ao Prego”!
Durante os anos que se seguiram à II Guerra Mundial tornou-se vulgar o recurso às casas de penhores, casas que emprestavam dinheiro em troca de objectos segunda mão e pertences pessoais, que as pessoas podiam recuperar ou reaver em troca de um pagamento em dinheiro.
O contracto de penhor resumia-se a uma cautela que era dada ao cliente, que servia para reaver o seu objecto mais tarde. Se não tivessem possibilidades de levantar os seus pertences no prazo dado, as casas de penhores leiloavam esses bens.Em tempos de grande pobreza, muitas idosas contaram-nos que tinham que pôr no “prego” à segunda-feira bens essenciais como o seu calçado, o fato de domingo dos maridos ou até cordões e brincos de ouro, que levantavam a correr ao sábado (quando os maridos recebiam semanalmente), para poderem usá-los ao domingo. Na segunda-feira seguinte voltavam a penhorá-los!
Quase tudo se aceitava no prego como garantia, mesmo móveis.
A estação do Rossio

Na estação do Rossio tiveram lugar vários acontecimentos.
Em 1907, uma concorrida manifestação contra o ditador João Franco; na revolução de 1910 foi defendida pela Guarda-fiscal enquanto ponto estratégico; através do Túnel, chegaram militares Republicano. Era da Estação do Rossio que chegava e partia quem viajava para o país e estrangeiro. Aqui foi morto o Presidente da República Sidónio Pais.
Resumo da entrega do catálogo da exposição Lisboa Republicana: Roteiro Patrimonial. Fotografia de Manuel Tavares, no ano 1949, Arquivo Fotográfico Municipal.
Em 1907, uma concorrida manifestação contra o ditador João Franco; na revolução de 1910 foi defendida pela Guarda-fiscal enquanto ponto estratégico; através do Túnel, chegaram militares Republicano. Era da Estação do Rossio que chegava e partia quem viajava para o país e estrangeiro. Aqui foi morto o Presidente da República Sidónio Pais.
Resumo da entrega do catálogo da exposição Lisboa Republicana: Roteiro Patrimonial. Fotografia de Manuel Tavares, no ano 1949, Arquivo Fotográfico Municipal.
As Lojas de Comércio

Mercearias
Em 1945 não havia supermercados. Muitos produtos eram vendidos porta a porta e outros nas mercearias. Os produtos estavam dispostos em sacas ou em entulhas e tudo era vendido a avulso (retalho) e em pequenas medidas porque o dinheiro era pouco.
A maioria das pessoas comprava a título de exemplo:
1 ou 2 ovos;
1 Posta de bacalhau demolhada (5 a 7 tostões);
2 dl de azeite por 5 tostões (50 centavos no tempo do escudo).
5, 10 ou 15 tostões de açúcar, farinha, café ou bolachas que eram embrulhados em pacotinhos/cartuxos de papel.
Só quem sabia ler é que pedia em gramas.
Os produtos com gordura (como a manteiga, banha e atum) eram embrulhados em papel vegetal. Muitos pediam ao merceeiro que lhes guardasse as latas de 5kg do Atum quando estivessem vazias, para fazerem panelas com elas (abrindo um buraco nos lados e colocando um arame).
O feijão era vendido ao litro (medida que equivalia a cerca de 700 gr.).
Nesta altura já havia quem cozinhasse com fogareiro de petróleo, mas só quem tinha dinheiro, porque a maioria cozinhava com fogareiro de carvão.
Carvoarias
As Carvoarias estavam ligadas às tabernas. Vendiam carvão e bolas de restos de carvão amassados com greda (espécie da barro) que ajudavam a conservar o calor do fogareiro. Vendiam ainda a carqueja (arbusto que cresce nas matas e que é muito bom para atear o lume).
Drogarias
As Drogarias vendiam um pouco de tudo de produtos de limpeza como o sabão, a potassa que ajudava a desengordurar a loiça, produtos de higiene íntima como o permaganato (desinfectante íntimo da mulher) e o bicarbonato de sódio. Vendiam também o petróleo e o álcool natural para acender os fogareiros. No fundo aí vendia-se um pouco de tudo, excepto produtos alimentares.
Capelistas e Ateliês de costura
Linhas, agulhas, meias, dedais, pentes e travessas para o cabelo eram vendidos naquela época nas “Capelistas”, que hoje conhecemos como retrosarias.
Existiam as Lojas de Fazendas que vendiam peças de fazenda ao metro e as Alfaiatarias que faziam os fatos para homens, os Ateliers de Costura com as modistas onde eram feitas a roupa de mulher. Não existiam os prontos-a-vestir.
Sapatarias
Nas sapatarias eram vendidos os modelos de fábrica mas também modelos únicos elaborados pelos sapateiros. No entanto nem toda a gente podia comprar sapatos nas sapatarias. A maior parte das pessoas comprava os sapatos nas feiras (ex. feira da ladra).
Em 1945 não havia supermercados. Muitos produtos eram vendidos porta a porta e outros nas mercearias. Os produtos estavam dispostos em sacas ou em entulhas e tudo era vendido a avulso (retalho) e em pequenas medidas porque o dinheiro era pouco.
A maioria das pessoas comprava a título de exemplo:
1 ou 2 ovos;
1 Posta de bacalhau demolhada (5 a 7 tostões);
2 dl de azeite por 5 tostões (50 centavos no tempo do escudo).
5, 10 ou 15 tostões de açúcar, farinha, café ou bolachas que eram embrulhados em pacotinhos/cartuxos de papel.
Só quem sabia ler é que pedia em gramas.
Os produtos com gordura (como a manteiga, banha e atum) eram embrulhados em papel vegetal. Muitos pediam ao merceeiro que lhes guardasse as latas de 5kg do Atum quando estivessem vazias, para fazerem panelas com elas (abrindo um buraco nos lados e colocando um arame).
O feijão era vendido ao litro (medida que equivalia a cerca de 700 gr.).
Nesta altura já havia quem cozinhasse com fogareiro de petróleo, mas só quem tinha dinheiro, porque a maioria cozinhava com fogareiro de carvão.
Carvoarias
As Carvoarias estavam ligadas às tabernas. Vendiam carvão e bolas de restos de carvão amassados com greda (espécie da barro) que ajudavam a conservar o calor do fogareiro. Vendiam ainda a carqueja (arbusto que cresce nas matas e que é muito bom para atear o lume).
Drogarias
As Drogarias vendiam um pouco de tudo de produtos de limpeza como o sabão, a potassa que ajudava a desengordurar a loiça, produtos de higiene íntima como o permaganato (desinfectante íntimo da mulher) e o bicarbonato de sódio. Vendiam também o petróleo e o álcool natural para acender os fogareiros. No fundo aí vendia-se um pouco de tudo, excepto produtos alimentares.
Capelistas e Ateliês de costura
Linhas, agulhas, meias, dedais, pentes e travessas para o cabelo eram vendidos naquela época nas “Capelistas”, que hoje conhecemos como retrosarias.
Existiam as Lojas de Fazendas que vendiam peças de fazenda ao metro e as Alfaiatarias que faziam os fatos para homens, os Ateliers de Costura com as modistas onde eram feitas a roupa de mulher. Não existiam os prontos-a-vestir.
Sapatarias
Nas sapatarias eram vendidos os modelos de fábrica mas também modelos únicos elaborados pelos sapateiros. No entanto nem toda a gente podia comprar sapatos nas sapatarias. A maior parte das pessoas comprava os sapatos nas feiras (ex. feira da ladra).
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